terça-feira, 28 de outubro de 2008

Estruturando tecnologicamente a escola

Lúcio Fonseca
Maio 02, 2008

Tirar uma escola do mundo analógico e inseri-la no mundo digital requer um investimento financeiro que pode ir do razoável ao muito grande, dependendo das aspirações e do projeto (ou falta dele). Se dinheiro é uma condição necessária, nem de longe é suficiente, no entanto.Há um longo caminho a ser percorrido antes até de se colocar a mão no bolso. Neste e nos próximos artigos, pretendemos dar um dos caminhos possíveis para sintonizar a escola com a sociedade de base tecnológica em que vivemos.PASSO 1: Querer é poder!Se uma escola ainda está no mundo da gaveta cheia de pré-datados, das montanhas de fichas em papel, das aulas na metodologia CG (Cuspe e Giz) e ainda se sente muito bem assim, a tarefa não vai ser fácil. Mas também não é impossível. Tudo pode começar com a busca da resposta a uma pergunta: “Por quê e para quê temos que estruturar tecnologicamente a escola?”Durante milênios, a sociedade foi apenas oral. As crenças, tradições e saberes – imutáveis e em quantidade limitada - eram passados pelos mais velhos aos mais novos em longas e repetitivas sessões de “contação” de histórias, muitas vezes em torno da fogueira (tirando a fogueira, talvez a semelhança com a aula expositiva não seja mera coincidência).Um dia, inventou-se a escrita e com ela, de certa forma, a cronologia – uma coisa, depois a outra (o que, na escola, se refletiu, de certa forma, na estruturação curricular baseada em pré-requisitos – só se pode aprender determinada coisa depois que se aprender outra; por isso, meu caro aluno da 5a. série, guarde esta pergunta para fazê-la quando estiver na 7a.). Naqueles tempos, a quantidade de informações produzidas pela humanidade, embora bem maior, ainda era administrável, pois o ritmo de surgimento de novas informações era razoavelmente lento (por isso, os livros não precisavam ser descartáveis, e podiam passar de irmão para irmão, quando não de pai para filho).Mas, de repente, e não menos que de repente, o surgimento da televisão, a revolução das comunicações, o acesso democratizado ao extraordinário poder de processamento de dados dos computadores e, principalmente, sua interligação numa até então inimaginável “teia mundial” provocaram o que se poderia chamar de “big bang informacional”. Uma fantástica explosão que liberou dos seus limitados (e controláveis) depósitos a informação. Um universo informacional em contínua e vertiginosa expansão se libertou da Caixa de Pandora, para desconsolo e – em muitos casos – desespero de muitos monges e copistas, medievais e contemporâneos.Para desbravar e sobreviver neste admirável e digital mundo novo, os instrumentos, as competências e as regras que vigiam até então perderam repentinamente a validade. Carros de boi, Fords Bigodes, telegramas, telex, enciclopédias e arquivos em papel... obrigado pelo bem que me fizeram, mas agora preciso de informação on line sobre a inadimplência, a evasão e o desempenho acadêmico; de “search engines” e robôs digitais que encontrem, num piscar de olhos, a informação de que preciso, armazenada em algum rincão perdido deste universo cibernético. O tempo urge: não posso mais esperar dias pela resposta à carta que postei no correio; preciso de imediato retorno eletrônico. A quantidade de informações que tenho de manusear é cada vez maior: preciso de sistemas informatizados. O tempo é cada vez mais curto; não posso me dar ao luxo de reinventar a roda; preciso guardar organizadamente, gerir e compartilhar meu conhecimento organizacional, de forma a poder recorrer a ele, em situações repetitivas, para fazer igual ou, melhor ainda, para apenas melhorar o que já foi feito. Mas como encontrar informações naquele entupido e mofado arquivo morto? E o gasto com papel, meu Deus? E o tempo perdido tentando achar uma informação? É... não tem jeito... preciso estruturar tecnologicamente minha escola.E então fez-se a luz... Bem vindo, irmão, ao novo mundo. Você já quer, então você já pode. Você está pronto para os próximos passos.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Tecnologia interativa a serviço da aprendizagem colaborativa num paradigma emergente

Dra. Marilda Aparecida Behrens[1]
O processo de mudança que a sociedade vem sofrendo nas últimas décadas tem forte influência dos paradigmas da ciência. A Revolução Científica trouxe para a humanidade a visão do mundo-máquina. Na realidade, essa explicação científica do universo iniciou-se com as proposições de Copérnico e Galileu, ao defenderem a descrição matemática da natureza. E foi acentuada pelas contribuições de Descartes e Newton, quando recomendaram uma ordem lógica e racional para justificar os fenômenos da natureza. Baseados em pressupostos da Matemática e da Física, levaram a um processo de fragmentação da ciência em áreas do conhecimento. Desse movimento decorreram duas conseqüências importantes que influenciaram o pensamento moderno "Uma se refere ao fato de que, para conhecer, é preciso quantificar, e o rigor científico é dado por medições" e outra, relacionada ao pensamento científico, em que "para conhecer, é preciso dividir, classificar, para depois tentar compreender as relações das coisas em separado." (Moraes, 1997)A Sociedade de Produção em Massa, fortemente influenciada pela Revolução Industrial e impregnada pelos pressupostos do paradigma newtoniano-cartesiano, apresentou-se sedimentada numa visão de mundo mecanicista e reducionista. A fragmentação, a divisão, a objetividade, a racionalidade, levaram a proposições dualistas, como a separação entre mente-corpo, ciência-ética, objetivo-subjetivo, razão-emoção, entre outras. Segundo Morin e Moigne (2000) "até o início do século XX - quando ela entra em crise - a ciência clássica se fundamentou sobre quatro pilares da certeza que têm por causa e efeito dissolver a complexidade pela simplicidade: o princípio da ordem; o princípio de separação; o princípio de redução; o caráter absoluto da lógica dedutiva-identitária" (p.95).A visão newtoniano-cartesiana que caracterizou o século XVIII e XIX passa a ser questionada pela comunidade científica durante todo o século XX. As proposições de Einstein com a Teoria da Relatividade (1900) e o movimento da física quântica desencadearam uma nova revolução na ciência, especialmente, focada na busca da recomposição das partes num todo integrado. Esse movimento desafia o mundo científico, envolvendo investigações de físicos, químicos, biólogos, matemáticos e de profissionais das mais variadas áreas do conhecimento.A Revolução Industrial evolui para a Revolução Tecnológica, que traz contribuições significativas para a humanidade. Acredita-se que o grande avanço da era tecnológica foi provocar a geração da rede informatizada. Assim, a Era de Informação passa a permitir o contato rápido entre as pessoas e auxilia significativamente o movimento de globalização. Se por um lado esta revolução trouxe processos de avanço e desenvolvimento, por outro, apresentou a tecnologia num sistema capitalista que levou à massificação e a um comprometimento da visão de homem e da visão de mundo. A Educação, em todos os níveis de ensino e de modalidades, ainda mantém uma forte impregnação do pensamento conservador newtoniano-cartesiano, demorando a absorver as mudanças geradas pela Revolução Tecnológica. Grande número de professores apresenta a tecnologia como a utilização da técnica pela técnica, na busca da eficiência e da eficácia, das verdades absolutas e inquestionáveis e das evidências concretas. Neste processo, a sociedade capitalista, com uma visão racionalista e positivista, tem permitido o acirramento das desigualdades sociais. No dizer de Cardoso (1995), o paradigma cartesiano, ainda presente em muitas das atitudes da humanidade, levou ao "culto do intelecto e o exílio do coração".Com o advento da Sociedade do Conhecimento, nas últimas décadas do século XX, a exigência da superação da reprodução para a produção do conhecimento instiga a buscar novas fontes de investigação, tanto na literatura, quanto na rede de informatizada. A Sociedade do Conhecimento, na "Era das Relações" (Moraes,1997), com a globalização, passa a exigir conexões, parcerias, trabalho conjunto e inter-relações, no sentido de ultrapassar a fragmentação e a divisão em todas as áreas do conhecimento. Nesse processo, a tecnologia precisa tornar-se um instrumento a serviço do bem-estar da humanidade. Com esse desafio imposto, o importante papel reservado para a Educação Tecnológica é o trabalho para a formação da cidadania, que leve em consideração a oferta de requisitos básicos para viver numa sociedade em transformação, e que prepare um cidadão responsável e ético, para enfrentar os novos impactos tecnológicos (Grinspum,1999).Neste contexto de mudança paradigmática, as universidades, seus gestores e seus professores precisam refletir sobre as reais necessidades que os alunos irão enfrentar em suas profissões e em suas vidas. A Sociedade do Conhecimento vem trazendo novos enfrentamentos para população, pois as exigências na formação de cada área profissional tendem a mudar e o aluno precisa estar preparado para estas transformações. Portanto, a formação deve contemplar um espaço aberto para o diálogo, para a busca incessante do novo, do desejo de pesquisar e tornar-se autônomo e produtivo.Neste movimento de inovação, o professor como intelectual transformador (Giroux,1997) precisa tornar-se um investigador crítico e reflexivo para ser criativo, articulador e, principalmente, parceiro de seus alunos no processo de aprendizagem. Nesta nova visão, o docente precisa mudar o foco do ensinar e passar a preocupar-se com o aprender e, em especial, o "aprender a aprender", abrindo caminhos coletivos de busca que subsidiem a produção do conhecimento do seu aluno. Por sua vez, o aluno precisa ultrapassar o papel passivo de repetidor fiel dos ensinamentos do professor e tornar-se criativo, crítico, pesquisador e atuante para produzir conhecimento e transformar a realidade (Behrens, 2000).Em parceria, professores e alunos precisam buscar um processo de auto-organização para produzir conhecimento significativo e relevante. O volume de informações acumulado nestas últimas décadas não permite abarcar todos os conteúdos que caracterizam uma área do conhecimento, portanto, professores e alunos precisam aprender a aprender como acessar a informação, onde buscá-la, como depurá-la e transformá-la em produção de conhecimento. O profissional, para ser competente, precisa ser um investigador intermitente, um cidadão crítico, autônomo e criativo que saiba solucionar problemas, utilizar a tecnologia com propriedade e ter iniciativa própria para questionar e transformar a sociedade. Segundo Freire (1997), nesse processo de transformação, o aluno deve buscar uma formação ética e solidária e assumir seu papel como sujeito histórico. A escola, por sua vez, precisa oferecer situações que envolvam e responsabilizem os alunos por uma aprendizagem solidária.Aprendizagem colaborativa com tecnologia interativaO paradigma conservador era baseado na transmissão do professor, na memorização dos alunos e numa aprendizagem competitiva e individualista. O grande encontro da era oral, escrita e digital (Lévy, 1999), na Sociedade da Informação, enseja uma prática docente assentada na produção individual e coletiva do conhecimento. Acredita-se que os processos interativos de comunicação, colaboração e criatividade são indispensáveis ao novo profissional esperado para atuar nessa sociedade. Para desenvolver estes processos, há necessidade de oferecer nas universidades uma prática pedagógica que propicie ações conjuntas, e que prepare os alunos para empreender e conquistar esta qualificação, a partir da sala de aula.As Universidades e as escolas em geral, ao optarem por um paradigma inovador, precisam derrubar barreiras que segregam o espaço e a criatividade do professor e dos alunos, que em geral ficam restritos à sala de aula, ao quadro de giz e ao livro texto (Behrens, 1996). No universo de informações, os alunos deverão ser iniciados também na utilização da tecnologia para resolver problemas concretos que ocorrem no cotidiano de suas vidas. A aprendizagem precisa ser significativa, desafiadora, problematizadora e instigante, a ponto de mobilizar o aluno e o grupo a buscarem soluções possíveis para serem discutidas e concretizadas à luz de referenciais teóricos e práticos.A ação docente inovadora precisa contemplar a instrumentalização dos diversos recursos disponíveis, em especial, os computadores e a rede de informação. Aos professores e alunos cabe participar de um processo conjunto para aprender de forma criativa, dinâmica, encorajadora que tenha como essência o diálogo e a descoberta. Com essa nova visão, cabe aos docentes empreenderem projetos que contemplem uma relação dialógica, na qual, ao ensinarem, aprendem; e os alunos, ao aprenderem, possam ensinar (Freire, 1997). Os professores e alunos passam a ser parceiros solidários que enfrentam desafios a partir das problematizações reais do mundo contemporâneo e demandam ações conjuntas que levem à colaboração, à cooperação e à criatividade, para tornar a aprendizagem colaborativa, crítica e transformadora.Aprendizagem colaborativa num paradigma pedagógico emergenteExiste a proposição de um paradigma inovador na ciência, que venha atender aos pressupostos exigidos pela sociedade do conhecimento e que tem sido denominado, por alguns educadores, como Ecológico, Holístico ou Emergente (Capra, 1996; Moraes, 1997; Santos, 1987). Caracterizar o paradigma emergente não parece tarefa de fácil resposta neste momento histórico, pois além da multiplicidade de denominações, ele engloba diferentes aspectos e exige a interconexão de pressupostos de diversas teorias.O paradigma emergente busca a visão de totalidade e o desafio de superação da reprodução para a produção do conhecimento. Para Capra (1996), o paradigma emergente tem como função essencial reaproximar as partes na busca de uma visão do todo. A exigência de tornar o aluno um competente produtor do seu próprio conhecimento implica valorizar a reflexão, a ação, a curiosidade, o espírito crítico, a incerteza, a provisoriedade, o questionamento e, para tanto, exige que o professor reconstrua a prática conservadora que vem desenvolvendo em sala de aula. Os ambientes educativos devem ter como foco central a autonomia, a criatividade e o espírito investigativo. Com esse desafio presente, o professor precisa optar por metodologias que contemplem o paradigma emergente, a partir de contextualizações, que busquem levantar situações-problema, que levem a produções individuais e coletivas e a discussões críticas e reflexivas, e, especialmente, que visem à aprendizagem colaborativa.Para alicerçar uma ação docente que venha atender às mudanças paradigmáticas da ciência, há a necessidade de se constituir uma aliança de abordagens pedagógicas, formando uma verdadeira teia de referenciais teóricos-práticos. Behrens (1999), ao realizar pesquisas sobre a prática pedagógica dos professores, em todos os níveis de ensino, propõe que para atender ao Paradigma Emergente faz-se necessário construir uma aliança entre os pressupostos da visão sistêmica, da abordagem progressista e do ensino com pesquisa. Defende que para o professor oferecer uma ação docente baseada nessa aliança precisa ampliar também os recursos oferecidos para a aprendizagem dos alunos, em especial com a instrumentalização da tecnologia inovadora.A importância da opção por essa aliança implica apresentar as características de cada abordagem: a) A visão sistêmica ou holística busca a superação da fragmentação do conhecimento, o resgate do ser humano em sua totalidade, considerando o homem com suas inteligências múltiplas, levando à formação de um profissional humano, ético e sensível. b) A abordagem progressista tem como pressuposto central a transformação social. Instiga o diálogo e a discussão coletiva como forças propulsoras de uma aprendizagem significativa e contempla os trabalhos coletivos, as parcerias e a participação crítica e reflexiva dos alunos e dos professores. c) O ensino com pesquisa instiga à produção do conhecimento, com autonomia, espírito crítico e investigativo. Considera o aluno e o professor como pesquisadores e produtores dos seus próprios conhecimentos (Behrens, 1998).Uma prática pedagógica competente, que acompanhe os desafios da sociedade moderna, exige uma inter-relação dessas abordagens e o uso da tecnologia inovadora. Servindo como instrumentos, o computador e a rede de informações, aparecem como suportes relevantes na proposição de uma ação docente inovadora. Dentre os recursos que têm auxiliado processos de contato entre pares, destacam-se: Correio Eletrônico: ferramenta de comunicação escrita a distância via rede de computadores; Listas de Discussão ou Fóruns: formadas por pessoas e grupos que têm como objetivo a discussão de um determinado assunto; Chat: interface gráfico que possibilita conversa com diversas pessoas ao mesmo tempo; Teleconferência: conferências que envolvem usuários fisicamente distantes, podendo envolver a transmissão e o recebimento de texto, som e imagem. Acredita-se que esses recursos devem ser utilizados para subsidiar uma metodologia de ação docente baseada nas aprendizagens e nas competências e habilidades que o professor quer desenvolver com seus alunos.Aprendizagem colaborativa num paradigma emergente baseada em projetosO paradigma emergente exige conexões e inter-relações dos agentes envolvidos no processo de ensinar e de aprender. Com essa visão, ao buscar uma aprendizagem colaborativa, o professor pode optar por diversas metodologias. Em especial, neste momento, recomenda-se que a metodologia tenha como base fundamental um ensino e aprendizagem por projetos.A perspectiva de propor uma aprendizagem baseada em projetos leva cada docente a analisar, refletir e criar sua própria prática pedagógica. Enfatiza-se que o sucesso da metodologia baseada em projetos e da aprendizagem colaborativa com tecnologia interativa implica a vivência de situações diferentes das que os alunos estão acostumados numa ação docente conservadora. Na proposição da metodologia de aprendizagem colaborativa por projetos, não existem receitas e prescrições a serem seguidas, embora algumas recomendações possam ser apresentadas como: a investigação de problemas, a contextualização do tema, a tomada de decisões em grupo, as situações de troca, a reflexão individual e coletiva, a tolerância e a convivência com as diferenças, as constantes negociações e as ações conjuntas. Ressalta-se que o professor, ao optar por essa metodologia, instiga a responsabilidade do aluno pelo seu próprio aprendizado e pelo aprendizado do grupo. A vivência fraterna e solidária nas situações de aprendizagem tende a se estender às relações do estudante com os demais membros da sociedade, e só este procedimento bastaria para defender a relevância desta metodologia.

sábado, 18 de outubro de 2008

Sejam Bem-Vindas

Este espaço está disponível aos educadores como meio de troca de experiências, dúvidas sugestões e propagação de eventos.
Espero vocês.

Luiza Venturim