Maio 02, 2008
Tirar uma escola do mundo analógico e inseri-la no mundo digital requer um investimento financeiro que pode ir do razoável ao muito grande, dependendo das aspirações e do projeto (ou falta dele). Se dinheiro é uma condição necessária, nem de longe é suficiente, no entanto.Há um longo caminho a ser percorrido antes até de se colocar a mão no bolso. Neste e nos próximos artigos, pretendemos dar um dos caminhos possíveis para sintonizar a escola com a sociedade de base tecnológica em que vivemos.PASSO 1: Querer é poder!Se uma escola ainda está no mundo da gaveta cheia de pré-datados, das montanhas de fichas em papel, das aulas na metodologia CG (Cuspe e Giz) e ainda se sente muito bem assim, a tarefa não vai ser fácil. Mas também não é impossível. Tudo pode começar com a busca da resposta a uma pergunta: “Por quê e para quê temos que estruturar tecnologicamente a escola?”Durante milênios, a sociedade foi apenas oral. As crenças, tradições e saberes – imutáveis e em quantidade limitada - eram passados pelos mais velhos aos mais novos em longas e repetitivas sessões de “contação” de histórias, muitas vezes em torno da fogueira (tirando a fogueira, talvez a semelhança com a aula expositiva não seja mera coincidência).Um dia, inventou-se a escrita e com ela, de certa forma, a cronologia – uma coisa, depois a outra (o que, na escola, se refletiu, de certa forma, na estruturação curricular baseada em pré-requisitos – só se pode aprender determinada coisa depois que se aprender outra; por isso, meu caro aluno da 5a. série, guarde esta pergunta para fazê-la quando estiver na 7a.). Naqueles tempos, a quantidade de informações produzidas pela humanidade, embora bem maior, ainda era administrável, pois o ritmo de surgimento de novas informações era razoavelmente lento (por isso, os livros não precisavam ser descartáveis, e podiam passar de irmão para irmão, quando não de pai para filho).Mas, de repente, e não menos que de repente, o surgimento da televisão, a revolução das comunicações, o acesso democratizado ao extraordinário poder de processamento de dados dos computadores e, principalmente, sua interligação numa até então inimaginável “teia mundial” provocaram o que se poderia chamar de “big bang informacional”. Uma fantástica explosão que liberou dos seus limitados (e controláveis) depósitos a informação. Um universo informacional em contínua e vertiginosa expansão se libertou da Caixa de Pandora, para desconsolo e – em muitos casos – desespero de muitos monges e copistas, medievais e contemporâneos.Para desbravar e sobreviver neste admirável e digital mundo novo, os instrumentos, as competências e as regras que vigiam até então perderam repentinamente a validade. Carros de boi, Fords Bigodes, telegramas, telex, enciclopédias e arquivos em papel... obrigado pelo bem que me fizeram, mas agora preciso de informação on line sobre a inadimplência, a evasão e o desempenho acadêmico; de “search engines” e robôs digitais que encontrem, num piscar de olhos, a informação de que preciso, armazenada em algum rincão perdido deste universo cibernético. O tempo urge: não posso mais esperar dias pela resposta à carta que postei no correio; preciso de imediato retorno eletrônico. A quantidade de informações que tenho de manusear é cada vez maior: preciso de sistemas informatizados. O tempo é cada vez mais curto; não posso me dar ao luxo de reinventar a roda; preciso guardar organizadamente, gerir e compartilhar meu conhecimento organizacional, de forma a poder recorrer a ele, em situações repetitivas, para fazer igual ou, melhor ainda, para apenas melhorar o que já foi feito. Mas como encontrar informações naquele entupido e mofado arquivo morto? E o gasto com papel, meu Deus? E o tempo perdido tentando achar uma informação? É... não tem jeito... preciso estruturar tecnologicamente minha escola.E então fez-se a luz... Bem vindo, irmão, ao novo mundo. Você já quer, então você já pode. Você está pronto para os próximos passos.

4 comentários:
Sabemos da grande importância de se introduzir as novas tecnologias na escola.
Mais preocupante que os recursos financeiros para fazermos este investimento, é como se dará tal passo no processo pedagógico, não pretendemos ter apenas máquinas, que sirvam como instrumentos de apoio. Nos dias atuais, a maior relevância se deve aos processos cognitivos do usuário.
Ao analisarmos o texto podemos refletir sobre as diversas vertentes que o mundo digital sugere às escolas. É imprescindível que todo este processo se dê a partir de uma reflexão conjunta dos educadores, de modo que possam reestruturar seus planejamentos, levando em consideração o mundo digital e suas novas abordagens frente ao método, processo e avaliação do ensino aprendizagem. Outra reflexão ainda deverá ser feita – transmitir informações, não é sinônimo de produção de conhecimento – e, é este o desafio da escola atual ao incorporar as novas tecnologias ao processo de ensino aprendizagem.
Acreditamos que a escola gradativamente fará parte deste mundo digital com a competência e a habilidades que lhes são exigidas no momento. Será apenas o tempo daqueles que nela estão perceberem o quanto é importante a adesão às novas tecnologias para o desenvolvimento de seu trabalho, sem que o valor do ser humano diminua, mas que a ele seja incorporado novos valores necessários ao crescimento coletivo.
Núbia Calazans
Romilda Pereira
Do Estado ao ambiente privado, não há como negar a presença da tecnologia na escola. Alguns anos atrás uma escola que tivesse laboratório de informática era considerada moderna, hoje é um recurso obrigatório, ou seja, já não é mais um diferencial.
Na educação é impossível pensar na ausência tecnológica, como diz o editor multimídia e consultor de tecnologia educacional Carlos Seabra “... é fundamental pontuar esses novos instrumentos técnicos como possível alavanca para repensar e transformar o próprio sistema educacional.”.
Mas as novidades e modernidades tecnológicas avançam de uma forma incompatível com o setor financeiro das escolas, e ao contrário do que muitos pensam dinheiro não é uma questão material, e sim uma questão existencial. Isto se aprofunda quanto diz respeito às escolas particulares do interior, onde as mensalidades são quase intocáveis.
( pois os pais não aceitam uma correção real ), e a inadimplência é alta.Um problema sério para se resolver, pois sem recursos a escola não anda..
Com toda certeza uma solução plausível seria a busca por parcerias, coisa esta que no interior é uma grande barreira.já que em resumo as cidades interioranas não tem um parque industrial, e se baseia no comercio local e no funcionário público.
Refletindo a cerca de nossa própria região, esta busca de parceria fica mais distante ainda, pois um local pouco interessante politicamente, não recebe recursos necessários para seu crescimento. Apesar de nossa escola possuir uma boa quantidade de recursos tecnológicos, é financeiramente impossível acompanhar tantas novidades. Ao contrário de nossos alunos que tem acesso quase que de forma on-line a essas tecnologias.
GRUPO DE ALMENARA
Acompanhar as inovações na educação, não é coisa difícil. Até porque as possibilidades hoje de se vencer obstáculos tornaram-se muito mais desafiadoras que em tempos passsados. Aprender a desaprender na verdade é coisa muito difícil.Quando percebemos que existem muitas coisas entranhadas em nossa mente e que formaram o nosso caráter, fica muito difícil desaprender.As tranformações do mundo, colocaram-nos na velocidade que nem mesmo esperávamos que pudéssemos percorrer. O rítimo acelerado das informações insita-nos a percorrer por caminhos que aparentemente parecem tortuosos. A eficácia dos recursos tecnológicos e o desejo de buscar novos comhecimentos somam-se ao instinto da linguagem que se desnuda em meio a tanta velocidade. Acompanhar a evolução tecnológica não é coisa que possa trazer tantos desconfortos. Hoje os alunos buscam mais interagir com o conhecimento através desse mundo virtual, colorido e instigador. Cheios de passagens não mágicas, porém, fantasiosas e ao mesmo tempo real. Na escola moderna, costumo dizer que o professor continua como aluno. Pois o novo tras emoção que dá sentido a prática do que em outro tempo estivera tão distante do contexto da educação.Agora neste caminho globalizado, aparentemente tão misto, tão perto, onde o aluno está diretamente ligado às suas mudanças, inseridos diretamente nos vastos acessos. Agora não temos como mudar o rítimo, e sim buscar compreender e fazer parte desse processo agindo e interagindo nessa trilha socioeducacional em que agora somos também viajantes.
A reforma do sistema educacional apontada pelas organizações tem como prioridade a preparação do cidadão para essa sociedade pós - moderna.
Modelos pedagógicos foram quebrados, ainda que alguns tentem resistir, tornando-se desatualizados frente aos novos meios de armazenamento e difusão das informações.
Neste momento mudam também os conteúdos, os valores, as competências e as habilidades tidas socialmente como fundamentais para a formação humana.
Maraísa - Teófilo Otoni - MG
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